"A cobra vai fumar"

A Força Expedicionária Brasileira (FEB)

Em 1943, o Brasil declarou guerra às potências do Eixo após navios mercantes brasileiros serem torpedeados por submarinos alemães no litoral nacional. Em resposta, foi criada a Força Expedicionária Brasileira (FEB), o único contingente militar sul-americano a combater nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial.

A FEB foi organizada com cerca de 25.700 homens, entre eles integrantes do Exército, da Marinha e da recém-criada Força Aérea Brasileira. A frase popular da época, 'só vai para o Senão quando a cobra fumar', tornou-se símbolo do ceticismo internacional sobre a real participação brasileira — o que deu origem ao símbolo da cobra fumando cachimbo, adotado com orgulho pelos próprios pracinhas.

Entre 1944 e 1945, a FEB integrou o V Exército americano na Campanha da Itália, enfrentando as forças alemãs na região dos Apeninos. Os soldados brasileiros, apelidados de 'pracinhas', participaram de batalhas decisivas como Monte Castello, Montese e Colina 65 (Belvedere), enfrentando condições climáticas severas, terreno montanhoso e uma infraestrutura logística improvisada.

A conquista de Monte Castello, após sucessivas tentativas frustradas por outras forças aliadas, tornou-se o episódio mais emblemático da presença brasileira na guerra, simbolizando a capacidade de combate da tropa nacional mesmo com equipamento limitado e adaptado ao padrão americano.

A FEB retornou ao Brasil em 1945 tendo perdido 443 militares em combate, com centenas de feridos, deixando um legado de profissionalização das Forças Armadas brasileiras, incorporação de doutrina e equipamento modernos, e o início da aproximação estratégica com os Estados Unidos no pós-guerra.

"Senta a Pua!"

1º Grupo de Aviação de Caça — 'Senta a Pua!'

Enquanto a FEB combatia em terra, a Força Aérea Brasileira teve sua própria unidade de combate na Europa: o 1º Grupo de Aviação de Caça, cujo grito de guerra e apelido consagrado foi 'Senta a Pua!', expressão popular que significa atacar com força e sem hesitação.

Criado em dezembro de 1943, o Grupo de Caça foi equipado com aviões de caça-bombardeio Republic P-47 Thunderbolt, cedidos pelos Estados Unidos, e treinado nos moldes da força aérea americana. Foi a primeira e única unidade de combate aéreo brasileira a operar em teatro de guerra fora do continente americano.

Integrado à 350ª Fighter Group da Força Aérea dos Estados Unidos, o Senta a Pua realizou mais de 445 missões de combate entre 1944 e 1945 no norte da Itália, somando milhares de horas de voo em ataques a comboios, pontes, posições de artilharia e linhas ferroviárias alemãs, em apoio direto às tropas terrestres aliadas, incluindo a própria FEB.

O grupo operou sob o lema non-oficial 'Senta a Pua', inspirado em uma expressão de efeito usada pelos próprios pilotos ao lançarem seus ataques, e adotou como mascote o desenho de um pato de boina vermelha fumando cachimbo e portando uma metralhadora, simbolizando o espírito de combate irreverente da esquadrilha.

Ao longo da campanha, o esquadrão perdeu 5 pilotos em combate e outros em acidentes operacionais, mas é lembrado como um dos capítulos de maior desempenho técnico da aviação brasileira, tendo contribuído decisivamente para o avanço aliado no Vale do Pó, no norte da Itália.

O legado do 1º Grupo de Aviação de Caça continua vivo na Força Aérea Brasileira atual, sendo o esquadrão herdeiro de suas tradições ainda ativo, mantendo viva a memória dos pilotos que levaram o brasão do Brasil aos céus europeus.